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Crítica: O Drama (2026)

Foto do escritor: Paula Moraes
Paula Moraes
15 de abr.
3 min de leitura

O Drama (2026) inicia com uma sequência que estabelece rapidamente o tom íntimo da narrativa. O casal protagonista, Charlie e Emma, interpretados por Robert Pattinson e Zendaya, relembra a trajetória do relacionamento enquanto finaliza os votos de casamento. A montagem intercala momentos do presente com flashbacks que ajudam a construir o perfil dos dois: ele, desajeitado e inseguro; ela, vista como ingênua pelas amigas por chegar aos 30 anos sem possuir experiências românticas antes do relacionamento atual.


A virada narrativa acontece uma semana antes do casamento, durante um jantar com os amigos Mike e Rachel. O encontro, que começa de forma leve, evolui para um jogo de confissões sobre os piores atos já cometidos por cada um. As primeiras revelações, envolvendo comportamentos moralmente questionáveis e criminosos, são tratadas com certo humor e justificativas frágeis. No entanto, o clima muda completamente com a confissão final, relacionada a um plano de atentado na adolescência. A partir desse momento, o julgamento substitui o riso, e o futuro do casal passa a ser questionado.


Depois desse episódio, o filme mergulha no agravamento emocional dos protagonistas. A última semana antes do casamento se torna caótica, marcada por dúvidas, inseguranças e uma crescente incapacidade de comunicação. Sessões de fotos constrangedoras, crises no ambiente de trabalho e diálogos vazios reforçam o estado em que os personagens se encontram, presos entre o passado e o futuro idealizado.


Nesse contexto, Rachel, interpretada por Alana Haim, assume um papel central como força de tensão. Sua postura rígida e moralista contrasta com o próprio histórico, criando uma personagem que se posiciona como juíza das ações alheias sem reconhecer suas próprias contradições. A atuação sustenta essa ambiguidade ao construir uma figura convincente em sua inflexibilidade, de alguém disposto a interferir diretamente na relação dos outros.


Zendaya constrói Emma a partir de uma fragilidade calculada. Sua interpretação reforça a ideia de uma personagem solitária, com pouca vivência emocional e suscetível à influência externa. Os flashbacks contribuem para direcionar o olhar do espectador, oferecendo contexto suficiente para compreender suas reações e inseguranças. Já Pattinson investe em um personagem que oscila entre ingenuidade e imprudência, alguém incapaz de sustentar convicções próprias e disposto a ignorar conflitos para preservar a imagem de um futuro idealizado.


Visualmente, o filme aposta em uma ambientação contida, com destaque para o apartamento do casal, que funciona como extensão do estado emocional dos protagonistas. A trilha sonora atua de forma discreta, valorizando pausas e silêncios que dialogam diretamente com a dificuldade de comunicação entre os personagens, especialmente no caso de Emma.


Apesar da proposta, a direção não consegue sustentar plenamente a tensão dramática. Os momentos que deveriam funcionar como clímax carecem de intensidade, o que impede que o espectador se envolva de forma mais profunda com as decisões extremas sugeridas pela narrativa.O conflito existe, mas raramente atinge o nível de urgência que a história exige.


No fim, o filme se estrutura como um estudo sobre julgamento e transformação. A relação entre Charlie e Emma, iniciada a partir de uma mentira aparentemente banal, evolui para um cenário onde novas omissões e verdades distorcidas colocam em dúvida a base do vínculo. A obra propõe uma reflexão sobre até que ponto o passado deve influenciar o presente e se é possível redefinir valores com o tempo.


Sem oferecer respostas definitivas, O Drama constrói um retrato de personagens que tentam sustentar uma relação enquanto confrontam versões de si mesmos que preferiam manter ocultas.


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