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Crítica: Forbidden Fruits (2026)

Foto do escritor: Paula Moraes
Paula Moraes
19 de mai.
3 min de leitura

Forbidden Fruits mistura horror, surrealismo e humor ácido para construir uma história sobre amizade feminina, poder e pertencimento. Ambientado quase inteiramente dentro da loja “Free Éden”, uma loja de roupas alternativas localizada em um shopping, o filme acompanha um grupo de funcionárias que transformou o ambiente de trabalho em algo muito mais próximo de um coven moderno do que de uma simples equipe de vendas.


As protagonistas são Apple, Cherry e Fig, interpretadas por Lili Reinhart, Victoria Pedretti e Alexandra Shipp. Cada uma possuí o nome de uma fruta como parte da identidade criada pelo grupo, reforçando o clima performático e quase ritualístico da dinâmica entre elas. A chegada de Pumpkin, vivida por Lola Tung, funciona como porta de entrada para o espectador nesse universo.


Pumpkin destoa visualmente das outras garotas desde o início, o que faz sua integração parecer improvável. Ainda assim, ela é contratada para a loja e logo descobre que, para permanecer ali, precisará se juntar oficialmente ao coven formado pelas funcionárias. Durante o processo de iniciação, o roteiro a revela como uma personagem insegura, marcada pela dificuldade de criar laços duradouros e sinceros com outras mulheres, elemento que rapidamente se conecta ao principal conflito emocional da narrativa.


Apple ocupa naturalmente a posição de liderança dentro do grupo. Misteriosa e controladora, ela influencia diretamente o comportamento das outras garotas, especialmente Cherry, que vive em constante busca por sua aprovação. Conforme a trama avança, o filme revela o que aconteceu com a antiga funcionária da loja e como esse episódio afetou a dinâmica interna do coven. A partir daí, a relação entre as personagens ganha contornos mais sombrios, marcados por medo, dependência emocional e manipulação.


O roteiro brinca constantemente com o exagero e o absurdo, utilizando elementos surrealistas para construir a atmosfera do filme. Há uma sexualidade presente em praticamente todas as interações entre as garotas, reforçando o subtom sáfico que atravessa a narrativa sem necessariamente transformá-lo em foco principal.


Paralelamente, o filme constrói uma metáfora evidente entre Apple e a maçã bíblica ligada ao Jardim do Éden, relação reforçada pelo nome da loja “Free Eden”. Dentro dessa lógica, Apple surge como figura de tentação e desequilíbrio, alguém que influencia diretamente a deterioração emocional do grupo.


Entre o elenco, Lili Reinhart se destaca pela maneira contida com que constrói Apple, mantendo a personagem constantemente enigmática. Já Victoria Pedretti entrega a atuação mais marcante do filme, transformando Cherry em uma figura excêntrica, instável e muitas vezes caricata, mas ainda assim envolvente. Alexandra Shipp acaba recebendo menos material para desenvolver Fig, que termina a narrativa sem o mesmo impacto das outras integrantes do grupo. Lola Tung, por outro lado, demonstra segurança em seu primeiro papel no cinema após anos ligada à televisão adolescente, conseguindo transmitir vulnerabilidade sem perder presença em cena.


Visualmente, o filme possui referências muito claras a The Love Witch (2016), especialmente no uso de cores vibrantes, figurinos estilizados e composição exagerada dos cenários. Ao mesmo tempo, a dinâmica do grupo remete diretamente a The Craft (1996), atualizando a ideia de jovens bruxas para uma geração moldada por estética, consumo e necessidade constante de validação social.


Apesar da atmosfera envolvente, o roteiro deixa a sensação de que algumas relações poderiam ter sido mais aprofundadas, principalmente no desenvolvimento individual de certas personagens. Ainda assim, o filme consegue sustentar seu tom entre o estranho e o provocativo sem perder identidade.


No conjunto, Forbidden Fruits funciona como uma releitura moderna das histórias de bruxas adolescentes, utilizando surrealismo, humor e tensão psicológica e sexual para falar sobre pertencimento e influência dentro das relações femininas.


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