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Crítica: Lindas e Letais (2026)

Foto do escritor: Paula Moraes
Paula Moraes
2 de abr.
2 min de leitura

Atualizado: 13 de mai.


Inspirado em narrativas de sobrevivência coletiva feminina que vem dominando o público jovem na última década, como na série Yellowjackets, Lindas e Letais parte de uma premissa familiar ao acompanhar um grupo de jovens atletas que, a caminho de uma competição internacional, acabam ficando presas em território desconhecido após uma sequência de imprevistos.


No filme, as protagonistas são bailarinas americanas que têm a viagem interrompida a Budapeste após o desvio do avião e a quebra do ônibus, sendo forçadas a buscar abrigo em um antigo hotel, onde a narrativa passa a assumir tons mais violentos.


Após se abrigarem no hotel na espera de um novo ônibus em direção a competição, as bailarinas passam a ser aprisionadas nele após testemunharem um dos hóspedes matando sua treinadora. A partir desse ponto, o grupo se vê envolvido no meio de uma disputa entre famílias russas, lideradas por uma figura central interpretada por Uma Thurman, e precisam usar suas habilidades e equipamentos de dança para conseguir escapar vivas. Aqui, o filme aposta em um contraste direto entre a delicadeza associada ao balé e a brutalidade das situações enfrentadas pelas personagens.


A construção do elenco principal segue uma lógica de mercado, reunindo nomes jovens em ascensão. Há um esforço evidente das atrizes em criar uma energia única para o filme, mas a caracterização das personagens baseada em estereótipos faz com que cada integrante do grupo represente um tipo específico de personagens femininos aceitos dentro de filmes de ação, sem grande desenvolvimento individual ou aprofundamento psicológico, tornando o enredo individual de cada uma previsível. Ainda assim, essa limitação parece alinhada à proposta do longa, que não busca complexidade dramática, mas sim funcionar apenas como um filme de ação, utilizando o universo do balé como elemento estético para chamar atenção de um novo público. 


Nesse contexto, a relação entre dança e combate se torna o principal diferencial visual. As coreografias são incorporadas às cenas de ação, mas de forma simplificada. É possível perceber diferenças claras de formação entre as atrizes, especialmente quando comparadas à performance de Maddie Ziegler, cuja experiência prévia em dança, impulsionada por sua participação em Dance Moms, a coloca em destaque. Essa disparidade acaba influenciando a construção das sequências, que optam por movimentos menos complexos para manter a uniformidade do grupo.


Do ponto de vista narrativo, o filme não demonstra interesse em expandir sua própria premissa. A sobrevivência inicial rapidamente cede espaço para confrontos físicos, e o potencial de explorar relações internas do grupo ou o impacto psicológico da situação é deixado de lado. Em vez disso, o filme segue um ritmo focado na ação, com várias cenas de confronto e perigo.


No conjunto, Lindas e Letais se posiciona como um produto consciente de suas limitações e intenções. Ao abrir mão de profundidade em favor do dinamismo, o filme aposta na combinação entre a estética do balé e violência como principal atrativo, sustentado por um elenco jovem e pela presença singular de um nome mais consolidado. O resultado é uma produção rasa que foca o impacto imediato, sem buscar maior elaboração dramática ou um impacto a longo prazo.



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