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Crítica: Entre Nós (2025)

Foto do escritor: Paula Moraes
Paula Moraes
7 de abr.
3 min de leitura

Atualizado: 13 de mai.


O filme apresenta seus três protagonistas a partir de traços bem definidos. Olivia, interpretada por Zoey Deutch, é uma garçonete que evita vínculos profundos e tende a se envolver com pessoas emocionalmente indisponíveis. Connor, vivido por Jonah Hauer-King, é um ex-colega de trabalho que mantém uma paixão não correspondida após uma relação casual. Já Jenny, interpretada por Ruby Cruz, surge como uma jovem recém-formada, ainda vivendo com os pais e com dificuldades de fazer amigos.


O encontro entre os três acontece no bar onde Olivia trabalha. Ao perceber Jenny sozinha, Connor se aproxima com a intenção de provocar ciúmes em Olivia. A interação evolui, e a própria Olivia decide se juntar à mesa ao fim do expediente. A partir daí, a narrativa avança rapidamente para uma noite de relação entre os três, que funciona como ponto de partida para os conflitos que se desenvolvem ao longo da história.


Após a noite compartilhada, Connor começa um relacionamento com Olivia. O vínculo se intensifica quando os dois descobrem uma gravidez inesperada e decidem seguir com a gestação. No entanto, a estabilidade é interrompida quando Jenny reaparece, também grávida, o que leva ao rompimento do casal e reorganiza completamente a dinâmica e o estado mental dos personagens.


A partir desse momento, o filme passa a acompanhar as duas gestações em paralelo, explorando as diferenças entre Olivia e Jenny tanto em comportamento quanto na forma como lidam com a maternidade. Enquanto uma reage com mais controle e resistência, a outra assume uma postura mais aberta e emocional. Essa oposição cria situações que transitam entre o drama e a comédia, sustentando o desenvolvimento da narrativa.


Um dos principais pontos de fragilidade na história está na construção de Connor. Diferente dos protagonistas clássicos das comédias românticas dos anos 1990 e 2000, o personagem não apresenta carisma suficiente para justificar o envolvimento emocional de duas figuras tão distintas. A atuação de Jonah Hauer-King se mostra limitada, especialmente nas cenas de maior carga dramática, onde falta intensidade para sustentar os conflitos propostos.


Em contraste, Zoey Deutch conduz o filme com segurança. Seu desempenho combina timing cômico preciso com momentos dramáticos consistentes, reforçando sua presença como eixo central da narrativa. Já Ruby Cruz contribui com uma atuação mais contida, que funciona como contraponto à energia de Deutch, ainda que sua personagem não receba o mesmo nível de desenvolvimento.


Tecnicamente, o filme apresenta qualidades consistentes. A trilha sonora original de Keegan DeWitt contribui para reforçar o tom emocional das cenas, enquanto a fotografia de Sing Howe Yam aposta em uma estética que remete às comédias românticas clássicas, com iluminação suave e ambientações acolhedoras.


Apesar dessas qualidades, o desenvolvimento do romance não atinge o mesmo nível de envolvimento. A relação entre os personagens carece de força suficiente para se destacar dentro do gênero, mesmo com uma base que remete a fórmulas conhecidas. A proposta visual e o carisma de parte do elenco não são suficientes para compensar a fragilidade emocional da relação central.


No fim, a história gira em torno de três personagens em busca de direção, que enxergam na maternidade e na paternidade uma possível solução para suas inseguranças. Ao longo do enredo, o filme sugere que essas expectativas não irão resolver os conflitos internos de forma imediata, mas expõem ainda mais as fragilidades individuais de cada um. Mais do que respostas, o filme apresenta personagens que ainda não sabem o que procuram.



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