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Crítica: Criaturas Extraordinariamente Brilhantes (2026)

Foto do escritor: Paula Moraes
Paula Moraes
13 de mai.
3 min de leitura

Criaturas Extraordinariamente Brilhantes (2026), adaptação do romance de Shelby Van Pelt, constrói sua narrativa a partir de personagens marcados pela solidão e pelo luto. O filme acompanha Tova Sullivan, interpretada por Sally Field, uma viúva idosa que trabalha como faxineira em um aquário enquanto evita lidar com a pressão de se mudar para uma casa de repouso, decisão que havia sido planejada pelo marido antes de morrer. Sua rotina é silenciosa e repetitiva, preenchida pelas conversas que mantém com os animais marinhos e pelos pequenos hábitos que parecem ajudá-la a suportar a ausência da família.


Entre todos os animais do aquário, o destaque é Marcellus, um polvo dublado por Alfred Molina, que observa atentamente os humanos ao seu redor enquanto compartilha seus próprios pensamentos com o espectador. O recurso de mostrar a perspectiva do animal poderia facilmente soar exagerado, mas o filme consegue utilizá-lo de forma delicada e funcional. Marcellus se identifica com Tova justamente pela sensação de deslocamento que ambos carregam, enxergando nela alguém tão preso à solidão quanto ele próprio dentro do aquário.


A dinâmica principal começa a se desenvolver quando Tova sofre um acidente de trabalho após encontrar Marcellus fora de seu tanque durante a madrugada. Temporariamente afastada do serviço, ela é substituída por Cameron Cassmore, interpretado por Lewis Pullman, um músico sem rumo que acaba aceitando o trabalho por necessidade financeira depois de ter problemas no seu carro durante uma viagem.


O encontro entre os dois personagens segue uma fórmula relativamente conhecida, mas funciona graças à química construída entre Field e Pullman. Inicialmente unidos apenas pelo trabalho, Tova e Cameron passam a dividir conversas, experiências e momentos fora do aquário, desenvolvendo uma relação que oscila entre humor, afeto e identificação emocional. Aos poucos, o filme revela que ambos carregam perdas profundas que influenciaram diretamente o rumo de suas vidas.


É justamente nesse ponto que Marcellus assume um papel ainda mais importante dentro da narrativa. Consciente de que está envelhecendo e se aproximando do fim da vida, o polvo decide usar o tempo que lhe resta para aproximar os dois personagens e ajudá-los a encontrar respostas que talvez não conseguissem sozinhos. A presença dele impede que a história se torne excessivamente melancólica, equilibrando emoção e leveza.


Sally Field conduz o filme com uma atuação sensível, transmitindo o desgaste emocional de Tova sem recorrer a excessos dramáticos. Já Lewis Pullman constrói Cameron como alguém perdido e imaturo, mas genuinamente disposto a encontrar algum propósito. Juntos, os dois criam cenas que transitam com facilidade entre a comédia e o drama, fazendo com que a evolução da relação aconteça de maneira convincente.


Outro destaque está nos efeitos visuais utilizados para criar Marcellus e os outros animais do aquário. O filme consegue integrar os elementos digitais ao ambiente real sem perder naturalidade, permitindo que o polvo se torne uma presença emocional genuína dentro da trama.


Visualmente, o aquário funciona quase como um espaço de refúgio para todos os personagens. A iluminação suave, os tons frios e o ritmo mais calmo da direção ajudam a reforçar a sensação de introspecção que acompanha a narrativa.


No fim, Criaturas Extraordinariamente Brilhantes se estabelece como uma história sobre pessoas perdidas que acabam se encontrando no momento certo. O filme fala sobre luto, amadurecimento e recomeços sem transformar esses temas em algo excessivamente pesado. Em vez disso, aposta na delicadeza das relações humanas e na ideia de que nunca é tarde para criar novos vínculos ou permitir que a vida siga em frente.


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